Go Go Power Rangers: a hora da nostalgia

Escrever sobre um filme do estilo de Power Rangers (2017) coloca o autor em uma situação de risco. Porque pode não existir muito para o que falar, além do tradicional “é bom” ou “é ruim”. Claro, podemos tentar focar na trilha sonora, na fotografia. Mas em um filme assim, qualquer detalhe técnico fica em segundo ou terceiro plano. O grande foco é a nostalgia.

Dentro do estilo próprio do gênero de filmes de super-heroi/ação, o longa cumpre seu propósito de divertir e, de certa forma, ir um pouco além disso. É uma produção que tem história interessante, detalhes técnicos bem trabalhados, principalmente nos efeitos visuais, e consegue surpreender – até certo sentido – em meio aos clichês deste tipo de produção.

Comecemos pela história. O filme poderia ter caído no erro de apenas explicar como cinco jovens que aparentemente não possuem nada em comum conseguiram encontrar joias que dão superpoderes e partir daí recebem a missão de defender a vida no planeta Terra, como Power Rangers. Mas aqui, optou-se por dar uma dimensão dramática diferenciada para os cinco jovens. Cada um deles possui algum problema ou alguma crise. É a pitada surpreendente de Clube dos Cinco que deixa a história até com uma certa profundidade, já que os personagens não são totalmente rasos. O líder popular cobrado por todos. A patricinha atormentada por um relacionamento malsucedido. Um jovem nerd que sofre de leve autismo. A moça que tem problemas familiares. O asiático que é o responsável por cuidar da saúde da mãe. Cinco histórias colocadas lado a lado por joias poderosas alienígenas.

Além disso, tem momentos que a narrativa lembra Peter Parker e seus primeiros dias como Homem-Aranha. Mais um toque bom toque de nostalgia.

Olhando os detalhes técnicos, não há o que reclamar. Os efeitos visuais são ótimos, desde a construção das armaduras, passando pela vilã Rita Repulsa (Elizabeth Banks) até o momento final com o aparecimento do Megazord (claro que ele iria dar as caras). Mas o que mais chamou a atenção foi a trilha sonora. Em alguns momentos parecia a trilha de Tron – O Legado. Em outros, as músicas foram bem encaixadas, com direito a uma versão de Stand By Me (que toca em uma das melhores cenas do filme). E coube também a tradicional Go Go Power Rangers. Ponto para a nostalgia.

No mais, o filme se mantêm fiel ao gênero. Ação, lutas, intrigas clichês. Nada de surpresa nisso. A única ausência foi a de combate exclusivamente de armadura. Parece que houve uma preocupação excessiva com o Megazord, que deixou em segundo plano a batalha de corpo a corpo, exclusivamente com armadura, que os Rangers adquirem com dificuldade na “hora de morfar”

O público que entrar no cinema para assistir, a partir desta quinta-feira, o longa dirigido por Dean Israelite (a primeira grande produção do sul-africano) será composto por dois grupos: Os que eram fãs do seriado japonês dos anos 1990 e os que não eram fãs. E é grande a possibilidade da plateia sair como um grande grupo, o dos que gostaram do longa-metragem. No fim de tudo, a grande vencedora de Power Rangers é a nostalgia.

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